
"Oh, sua inacreditável estrada
Eu não quero caminhar por nenhum outro lugar
Eu não posso derrotar você -
desde que não posso derrotar a beleza
Eu apenas grito em êxtase.
Louvo a beleza e louvo a dor.
Beleza duplamente moldada é dor duplamente moldada
Ou eu posso suportar isso
Ou eu sou maldito por poder provar isso tão doce..."
(Lacrimosa)
Eu não quero caminhar por nenhum outro lugar
Eu não posso derrotar você -
desde que não posso derrotar a beleza
Eu apenas grito em êxtase.
Louvo a beleza e louvo a dor.
Beleza duplamente moldada é dor duplamente moldada
Ou eu posso suportar isso
Ou eu sou maldito por poder provar isso tão doce..."
(Lacrimosa)
Eu sempre saí em Wilmont, muitas vezes saí com vontade de encontrar uma boa companhia e o que encontrava no final da noite era apenas a solidão e a nostalgia em meio a minha embriaguês. Por diversas vezes saí sozinha e como resultado do acaso encontrei diversas situações e pessoas que chegaram a me confundir mais tarde.
Sempre tive a impressão que se eu acompanhasse qualquer morador de Wilmont, se eu seguisse qualquer um, no final iria descobrir seu lado obscuro, um segredo, que parece que todo morador daqui, por mais simples que pareça, tem.
Quanto á população de Wilmont, pouco sei, ou pouco me preocupo em saber. O fato é que essa cidade é mais misteriosa do que muitos imaginam.
Também não posso afirmar muito, todas as vezes que deparei com alguma situação estranha, ou estava ébria ou distraída demais para diferenciar a realidade da ilusão.
De qualquer forma dessa vez parecia ser diferente, embora não soubesse á respeito do que estava me cercando, eu sentia, mesmo de olhos fechados, eu podia sentir.
*****
Eu estava andando sem rumo pelas ruas, andei um tanto desanimada, mas no fundo sabia que algo me esperava. Caminhei até o centro de Wilmont e atravessei as ruas úmidas, estava realmente distraída e só o que podia notar eram as luzes borradas dos carros que passavam por mim.
Quando já havia me distanciado do centro vi um bar do outro lado da rua que me chamou atenção pelo fato de ter muitas pessoas paradas na frente.
Caminhei até o bar e ao me aproximar notei que era um bar de góticos. As pessoas que estavam paradas na calçada resumiam-se em meninas de cabelos negros e piercings e rapazes com visual oitentista. A melodia post-punk era inevitável não reconhecer.
Entrei desviando de algumas pessoas, passei por um corredor largo e escuro até que cheguei num salão extenso. O bar ficava á direita no salão, havia alguns bancos perto do balcão e algumas mesas na frente, o resto do salão era uma pista e algumas pessoas dançavam ao som de Wasteland do The Mission.
Andei até o balcão e o cenário em minha volta me deixou confortada.
“Estou em casa” – pensei.
Logo o barman se aproximou e não resisti em pedir absinto.
- Bela pedida. Perfeita pra essa noite. – Ele disse.
Eu sorri e limitei-me em responder: "Minha preferida".
Já estava mais descontraída e coloquei minha bolsa no banco do lado, aproveitando para acender um cigarro. Tinha acabado de dar o primeiro trago quando uma moça se aproximou perguntando se podia se sentar ao meu lado, eu fiz com a cabeça que sim, mas confesso que isso me irritou um pouco, tirei a bolsa e coloquei-a em meu colo, dando lugar a menina.
- Você vem sempre aqui? – Ela perguntou me fazendo sorrir da cantada mais que barata. – Você é daqui da cidade mesmo?
- Sou, e você? – Perguntei tentando parecer interessada.
- Não. – Ela respondeu rapidamente. – Estou á passeio, é a segunda vez que venho em Wilmont, encontrei pessoas legais da primeira vez então resolvi voltar.
- E as reencontrou?
- Ainda não, mas nem sei se vou precisar, existem pessoas mais interessantes. – Ela falou me encarando com um olhar malicioso que me fez corar.
- Wilmont é mesmo uma cidade que atrai pessoas interessantes. – Retruquei tentando desviar o assunto.
Ela concordou com a cabeça ainda com um sorriso estranho no rosto. Virei-me para frente enquanto ela pedia uma cerveja para o barman.
Eu estava a olhando discretamente pensando em quão bonita ela era com sua pele pálida e seu cabelo loiro quase branco, quando notei que ela havia tomado uma postura estranha, virei-me completamente para ela e perguntei se se sentia bem.
- Só um pouco tonta. – Ela respondeu.
Perguntei se ela precisava de ajuda e até insisti em levá-la ao lado de fora para tomar um ar, mas ela negou minha ajuda, afirmando que estava bem. Larguei então minha preocupação de lado e me distraí por alguns minutos enquanto tocava Switchblade Symphony. Quando voltei a olhar para ela, ela estava debruçada no balcão com a cabeça deitada nos braços cruzados.
A fitei por mais alguns instantes pensando em como ela estava se sentindo até que levantei meu olhar e vi, dois bancos depois do dela, que havia alguém me olhando.
Não consegui ver quem era realmente, mas sentia que era alguém conhecido, o jeito que a pessoa me olhava, era familiar. Notei que era a silhueta de um homem e nada me tirava da cabeça que ele era conhecido.
- Acho que vou embora. - Disse a menina.
- Bom, talvez seja melhor pra você, já que não está se sentindo bem. - Eu respondi apreensiva.
- Não sei porque mas estou meio enjoada, minha noite não está sendo das melhores, é melhor ir mesmo.
- Tudo bem, foi um prazer lhe conhecer. - Eu disse enquanto ela se levantava.
- Aliás, meu nome é Lindsay. - Ela disse desanimada.
- Malina. - Falei sorrindo.
Ela virou e saiu, fiquei um tempo ainda imaginando como ela estava se sentindo mas logo estava pedindo outra dose. Lembrei-me de repente da pessoa que me encarava e olhei institivamente para o lado, mas quem quer que fosse, não estava mais lá.
Fiquei onde estava por muito tempo talvez, pois quando olhei para trás o número de pessoas estava bem reduzido, pensei em ficar mais um pouco mas logo chamei o barman e paguei o que havia consumido.
Eu não pretendia ir para nenhum lugar mas estava ansiosa, ao mesmo tempo não queria voltar pra casa, mas sabia que precisava sair dali.
Peguei minha bolsa e acendi um cigarro, saí do salão até mais rápido do que prentendia e quando estava próxima da saída senti que a ansiedade era grande e isso me deixou agoniada.
Subi pela rampa que dava para saída e antes que eu pudesse me cansar pela subida alguém me puxou pelo braço me encostando bruscamente na parede.
Estava me preparando para reagir quando deparei com lindos olhos verdes e vi que os conhecia.
- Apressada Malina? - Disse Aklen, um velho amigo, assim por dizer.
- Que susto! - Eu disse sem conseguir desviar meus olhos dos dele.
- Assustada hein? Quem achou que era?
- Não sei, você me pegou de surpresa. - Respondi.
- Para aonde vamos agora? - Ele perguntou com o sorriso sarcástico de sempre.
- Vamos? Não sei, "nós" vamos para algum lugar ? - Perguntei com deboche, eu sabia que nunca podia baixar a guarda pra ele, se o fizesse, ele tripudiaria de mim.
- Claro que vamos, você não está pensando em ir para algum lugar e me deixar aqui sozinho não é? - Ele perguntou.
- Eu nem sei se você está sozinho. - Falei aturdida.
- Não seja por isso, - ele disse - estou. Agora que você já sabe, posso lhe acompanhar?
Eu não respondi, não conseguia. Fiquei pensando no modo que ele havia me parado e fiquei surpresa quando percebi que estava com medo. Ele era o mesmo, alto, moreno, cabelo castanho escuro e olhos claros, mas ele estava diferente e mesmo conhecendo bem aquele sorriso sarcástico característico dele, eu sabia que havia algo errado e eu iria me arriscar novamente para saber o que era.
- Vou entender seu silêncio como um "sim". - Ele falou sorrindo. - A não ser...
- A não ser... - Esperei que ele continuasse.
- Que você esteja indo encontrar alguém. - Concluiu. - Mas não adianta falar que está acompanhada por que sei que não está.
- Não, realmente não estou. - Falei ainda confusa.
- Então vamos procurar um lugar para irmos e conversarmos melhor. - Ele disse, frizando a última palavra.
Novamente não respondi, sacudi a cabeça tentando voltar a realidade. Segui o meu caminho e ele me acompanhou, eu ainda me sentia confusa com a presença dele, mas não conseguia entender o porquê.
Chegamos do lado de fora do bar e paramos na calçada, eu não sabia aonde ir e nem sabia o que dizer á ele. Era estranho revê-lo depois de muito tempo. Nós tivemos um relacionamento antes de me mudar para Wilmont, eu não o via há anos e o fato dele reaparecer "do nada" e falar comigo como se nada tivesse acontecido me deixava sem reação.
Ele acendeu um cigarro enquanto eu estava distraída, e me fazendo de novo voltar á realidade, disse:
- Espero que você esteja aí. - Sorriu soltando a fumaça.
- Sim, estou. - Falei olhando para ele.
- Então vamos logo, estou de carro e podemos ir á qualquer lugar.
Eu acenti com a cabeça e começamos a andar, chegamos onde o carro estava estacionado e em silêncio entramos. Ele começou a dirigir ainda fumando e colocou um cd para tocar. Notei que era um cd conhecido e a nostalgia me tomou.
- É esse mesmo. O cd que você me deu. - Ele falou.
- O que você está fazendo aqui nessa cidade ? -Perguntei.
- Não tente mudar de assunto. - Ele falou e sorriu.
- Hã? Não, não estou... - Comecei a falar, mas ele me interrompeu :
- Está sim e quase posso sentir seus pensamentos daqui.
- Desculpe, só acho estranho você reaparecer depois de tanto tempo e agir assim. - Eu falei. Eu sabia que em Wilmont nunca era bom esconder o que se sentia.
- Não estou agindo de forma estranha, o fato de você ter ficado anos sem me ver não me proíbe de lhe procurar. - Ele explicou e o sorriso sarcástico tomou conta do seu rosto.
"Então ele me procurou, isso era certo. Mas como ele me achou? Poucas pessoas sabiam que eu havia me mudado para essa cidade, algum amigo linguarudo com certeza tinha falado." - Minha cabeça parecia rodar.
Permanecemos em silêncio, eu olhando para a estrada sem vê-la e sentindo todas as vezes que ele me olhava sorrindo. Continuamos assim até que ele parou o carro e só aí vi onde eu estava.
Estávamos na beira de um morro, lá embaixo as luzes foscas de Wilmont se perdiam na noite.
- Que clichê! - Falei soltando uma gargalhada.
- Você não muda. - Ele disse.
- Um mirante! Não posso acreditar. - Falei ainda sorrindo.
- Se quiser posso lhe levar direto para o meu quarto. - Ele retrucou e eu gelei. Dessa vez ele quem riu.
- Você também não mudou muito.
- Tem certeza? - Ele estava sério agora, me encarando e me fazendo temer novamente.
- Não. - Respondi secamente.
Abri a porta do carro e saí, era mesmo agradável ali em cima e embora parecesse estúpido eu estava gostando. Estava extremamente frio e ás vezes eu sentia a brisa suave cortando meu rosto como se fossem lágrimas. Nesse momento eu senti um grande alívio, era como se eu estivesse preocupada a noite toda e agora me sentisse bem novamente.
Virei-me para trás e o vi encostado no carro, ele me olhava com concentração. Andei até ele e parei ao seu lado.
- O que viemos fazer aqui? - Perguntei.
- Achei que não chegaríamos nessa parte nunca. - Ele respondeu e me puxou para mais perto. Passou a mão em meu cabelo e segurou meu pescoço em seguida, me beijando.
Toquei em seu rosto e sua pele fria era quase sobrenatural. Logo me afastei um pouco e embora esperasse um sorriso, a expressão dele era séria.
- O que foi? - Perguntei quase sem querer.
- Nada. - Ele respondeu ainda sério.
Ele parecia não querer conversar, imaginei que talvez ele tivesse me procurado mas que também sentia-se deslocado pelo fato de estar tocando no seu passado.
Sentindo sua indiferença, tentei me afastar mais, mas ele voltou a me puxar como fez na primeira vez. Me encostou no carro e voltou a me beijar num ritmo incansável. Logo me puxou para longe do carro e tirando sua blusa jogou-a no chão me forçando a deitar.
Nos beijamos ainda por muito tempo e eu não conseguia pensar em nada, o que estava acontecendo era inevitável dessa vez.
Ele tirou minha blusa e senti novamente sua pele fria em contato com a minha, seu corpo pesava sobre o meu. Nós estávamos de um jeito como nunca estivemos antes.
Transamos, como disse, era inevitável.
Nunca havíamos feito isso antes e embora ele parecesse estranho, era o mesmo Aklen de sempre. O rapaz que eu me afastei sem saber o porquê, sem ter motivos, apenas me afastei. Ele nunca havia me magoado mas eu senti que ele havia se magoado por minha causa, talvez pelo fato de termos nos separado sem motivo aparente.
Assim que ele se afastou pude sentir o frio novamente, a brisa agora era constante. Ele pareceu ter percebido que eu estava com frio e jogou sua blusa em minhas costas.
- Obrigada. - Respondi o olhando. Eu estava insegura.
Permanecemos em silêncio novamente, ele me abraçou e ficamos ali parados por alguns instantes.
A madrugada avançava e o frio aumentava a cada minuto e apesar de estar praticamente agarrada á ele, o frio não cedia.
- Então vamos. - Ele falou e eu sorri.
- Agora você é clarividente? - Perguntei.
- Sou, sei tudo sobre você. - Ele respondeu, sorrindo também.
Levantamos e fomos para o carro de novo. No caminho, a estrada parecia mais escura que nunca, o verde escuro das árvores visíveis somente na luz do farol e o céu negro, totalmente negro. Por segundos me senti segura, por segundos eu me senti "em casa" novamente, como se as tragédias de minha vida nunca houvessem acontecido, simplismente me sentia bem.
Voltamos ás luzes amarelas de Wilmont, as ruas estavam desertas. Me distraí olhando pela janela enquanto ele parecia procurar algum lugar específico, não demoramos para parar.
Paramos em frente um outro bar e descemos do carro. Eu não sentia vontade de perguntar para onde ele estava indo ou me levando, talvez por medo de saber que dessa vez, ele que me abandonaria.
Entramos no bar e ele escolheu a mesa mais escondida de todas. Não havia muitas pessoas e eu me senti feliz por isso. Ele indicou a mesa eu eu me sentei logo o encarando, ele se sentou e sustentou meu olhar.
- Então, o que você faz por aqui? Como achou Wilmont? - Perguntei.
- Pergunta errada. Você quis dizer: Como eu "te" achei em Wilmont. - Ele falou debruçando sobre a mesa.
Engoli seco e sorri desviando o olhar. Ele continuou:
- Não foi difícil achar você do jeito que você anda pensando em mim ultimamente.
Gelei novamente. Tinha algo errado com ele e isso era óbvio. Eu havia passado mesmo as duas últimas semanas pensando nele e de algum modo, ele pôde sentir isso.
- Aonde você está morando agora? - Perguntei completamente perdida.
- Perto. - Ele se limitou a responder.
- Porque não quer contar?
- Porque isso não importa, eu posso voltar caso você queira e voltarei tão rápido quanto os seus pensamentos. - Ele disse e isso me assustou.
- Você está... - hesitei - diferente.
- Algumas coisas aconteceram depois que você se mudou, ou fugiu. - Ele sorriu.
- Que tipo de "coisas"? - Perguntei e ele notou meu interesse.
- Você não entenderia.
Houve um breve silêncio e ele continuou:
- Sabe, acho engraçado como as pessoas confudem muitas vezes mito com realidade. Elas ás vezes acreditam em mitos como se fosse realidade, embora sejam só mitos. Mas muitas vezes, quando o mito é verdade, elas ignoram.
Eu não entendia o porquê dele falar sobre isso então somente concordei com a cabeça.
- Você não acha? - Perguntou.
- Não sei, depende do mito, existem histórias convicentes.
- Pode ser. - Ele falou e fez sinal com a mão para o garçom. Esperou que ele se aproximasse e pediu absinto, o garçom se afastou e ele voltou a me olhar sorrindo.
- Vamos continuar no absinto não é? - Falou com deboche.
- Porque você não veio falar comigo naquela hora no bar? Preferiu me dar um susto não é?
- Eu até ia me aproximar mas temi que você não gostasse da idéia. Então vi a mocinha que se aproximou de você e fiquei esperançoso em ver vocês duas se beijando, como isso não aconteceu, eu me aproximei.
- Tarado. - Falei olhando o garçom que se aproximava. Ele colocou as bebidas na mesa e partiu educadamente.
- Um brinde á... - Ele levantou seu copo.
Como não respondi ele continuou:
- Ao nosso reencontro. - Terminou.
Bebi e colocando o copo na mesa o encarei.
- O que houve com você? Você parece o mesmo mas sei que não é. - Falei.
- Sincera como sempre. - Ele respondeu. - Você está certa e esse seu pressentimento ás vezes me assusta.
- Não da mesma forma como você me assusta ás vezes. - Retruquei.
- Eu lhe assusto? Bom saber, achei que você fosse corajosa, forte. - Ele disse.
- Debochado. - Falei e ele sorriu. Seu sorriso foi gradativamente aumentando até que ele soltou uma gargalhada que me deixou confusa.
- Você é tão engraçada. - Ele estava diferente, sarcástico demais para o meu gosto. - Você é, sensacinal! - Disse por fim, mas eu estava preocupada demais com sua postura para poder falar alguma coisa.
- Você é engraçada mesmo. - Ele não cedia e eu já estava incomodada. - Por diversas vezes você tentou se matar e não adianta negar, - ele se inclinou em minha direção - eu sei.
- Do que você está falando? - Perguntei.
- Estou falando que você tinha várias formas de acabar com seu sofrimento. Das noites que você se sentiu sozinha, das vezes que você se sentiu perdida. Você poderia ter me procurado, eu com certeza ficaria ao seu lado e tentaria amenizar sua dor, mas ao invés disso o que você fez?
Eu só o ouvia, não conseguia o encarar, não importava como ele sabia tanto sobre mim, era verdade o que ele estava falando.
- Ao invés disso, você tentou se matar, tomando remédios, se machucando. Você é inacreditável! - Ele estava enfurecido. - Você é mesmo obcecada pela morte.
- Não, não sou. O que você queria que eu fizesse? A verdade é que você não faz mais parte da minha vida, você querendo ou não, isso me machucando ou não. - Falei com raiva.
- Você gosta da morte sim. Porque acha que vive nessa cidade? Cercada de mistérios? Você está se escondendo nessa escuridão. - Ele voltou a se acalmar.
- Não entendo o porquê de você citar a cidade, eu amo estar aqui e isso não tem nada á ver com morte. - Respondi.
- Tem sim, mais do que você imagina. Você acha que as coisas acontecem com você mas na verdade, você as procura.
- Isso não é verdade. - Falei e minha raiva o assustou.
- Não bloqueie seus pensamentos com sua raiva, por favor. - Ele disse quase que dócil.
- Você está louco! - Eu falei e me levantei da mesa.
- Você não vai embora, não novamente! - Ele quase que ordenou.
Eu voltei e me sentei novamente, fitando-o como nunca.
- Você gosta da morte, de mistérios. E suas aventuras por aqui são muito estranhas, portanto a louca aqui é você. - Ele disse.
- Talvez. - Eu respondi. - Talvez tudo que você falou seja verdade, mas e daí? Porque você veio até aqui?
- Você me chamou. Não podia fugir do seu chamado.
- Não sou capaz de entender, mesmo! - Falei alto quase gritando.
- E não precisa. - Ele disse e veio em minha direção me fazendo fechar os olhos. Sua mão estava quente e desceu pelo meu pescoço enquanto ele falava em meu ouvido. - Não interessa o que você acha que sou, você pode me sentir, estou aqui e posso fazer o que desejar com você. Como posso fazer qualquer coisa que você queira. Você sabe que posso e não conseguiria me contradizer. Não é?
Eu ainda estava de olhos fechados, sentido sua respiração no meu pescoço.
- Sim. - Respondi.
- Mas o que quero agora é somente que você me responda uma pergunta. - Ele falou.
- Qual? - Perguntei ansiosa.
- Como é sentir a morte entre suas coxas?
*****
Nesse momento eu abri os olhos assustada. Esperava vê-lo mas quem vi foi Lindsay e o barman do primeiro bar que estive. Aos poucos a música se tornou alta novamente.
- Malina? Você está bem? - Ela perguntou e o barman me encarou preocupado.
- Sim. - Agora sim eu estava confusa de verdade.
O barman pareceu ficar aliviado e sorriu dizendo:
- É moça, acho que a fada verde lhe levou pra algum lugar distante hein?
- Distante demais. - Falei entristecida.
- Malina, vou lhe levar para casa tudo bem? - Disse Lindsay.
- Não precisa. - Falei olhando por cima dos ombros dela, procurando se havia alguém no mesmo lugar aonde eu vira Aklen. Mas não havia ninguém.
- Acho que vou embora. - Eu disse.
- Bom, talvez seja melhor pra você, já que não está se sentindo bem. - Ela falou me fazendo voltar no tempo.
Eu sorri sarcasticamente e falei:
- Minha noite não está sendo das melhores, é melhor ir mesmo.
- Tudo bem, foi um prazer lhe conhecer. - Ela disse enquanto eu me levantava.
Levantei e pegando minha bolsa, saí. Estava tonta e sabia que precisava ir embora, estava assustada e com medo quando comecei a subir a rampa, não havia ninguém então continuei apressada quando de repente ouvi uma gargalhada. Parei institivamente e me virei, mas não vi ninguém.
Eu novamente estava numa situação estranha, o que havia acontecido comigo, eu não sabia e nem saberia explicar se alguém me perguntasse.
Fiquei parada na rampa, com medo de ir para casa e com medo de ficar ali. Se ele realmente tinha me encontrado, eu não sabia. A única coisa que sabia era que naquele momento eu estava parada próxima á saída de um bar que ficava perto do centro de Wilmont e que não não tinha ninguém ao meu lado e só a escuridão me cercava.
1 comentários:
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